“Estamos totalmente abertos ao diálogo”, diz Casagrande sobre o PSD
O ex-governador Renato Casagrande (PSB) escancarou as portas do seu grupo político para dialogar com o PSD sobre as eleições deste ano – especialmente no que diz respeito a uma aliança na disputa pelo Palácio Anchieta.
Na noite de ontem (20), durante a convenção do Podemos, Casagrande disse que o grupo – que tem como pré-candidato à reeleição o governador Ricardo Ferraço (MDB) – vai conversar com os partidos que tiverem interesse em dialogar e que não há restrição a ninguém:
(Estamos) Totalmente abertos ao diálogo com os partidos que quiserem conversar. Nós estamos no prazo do diálogo e de conversa. Ricardo Ferraço, nosso movimento, estamos totalmente abertos, não tem nenhuma restrição ao diálogo”.
A manifestação do governador ocorreu em resposta ao aceno do PSD.
Numa reunião que contou com as principais lideranças regionais do partido – entre elas o presidente estadual, Renzo Vasconcelos, e o ex-governador Paulo Hartung –, na manhã de ontem, o PSD definiu que vai abrir diálogo com todos os pré-candidatos ao governo do Estado. Também não descarta lançar candidatura própria.
O cenário político mudou, e nós do PSD estamos atentos. A partir de agora, iniciaremos uma agenda de diálogo, ouvindo todas as forças políticas, sempre colocando os interesses dos capixabas acima de qualquer projeto pessoal, contudo, alinhando o protagonismo do partido no futuro político que o Espírito Santo escolherá para os próximos anos”, diz trecho da nota do PSD.
Em abril, o partido, por meio de Renzo, declarou apoio à pré-candidatura do ex-prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos) ao governo do Estado e vinha construindo a aliança com a sinalização de que poderia contribuir para a composição da chapa – com a indicação do vice e/ou de um dos candidatos ao Senado.
Porém, o PSD começou a colocar o pé no freio após o Republicanos e o PL iniciarem conversas para uma aliança no Estado.
A parceria foi selada no último sábado (18), com direito à declaração pública de apoio de Pazolini ao presidenciável Flávio Bolsonaro e à pré-candidata ao Senado Maguinha Malta (PL) – filha do senador e presidente do PL capixaba, Magno Malta.
Nos bastidores, o PSD – primeiro partido a se aliar a Pazolini – estaria incomodado com o espaço que vem ocupando nas negociações conduzidas pelo grupo de Pazolini e Erick Musso, presidente do Republicanos no Espírito Santo.
A avaliação é de que a legenda vem sendo preterida e de que seu tamanho e sua estrutura não estariam sendo devidamente considerados na montagem da aliança.
Não à toa que o deputado estadual Sergio Meneguelli, que é pré-candidato do PSD ao Senado, deu o tom da insatisfação na semana passada.
Em entrevista à coluna De Olho no Poder, ele disse que o PSD não iria “obedecer” às decisões tomadas pelo PL e pelo Republicanos e que seu partido teria condições de caminhar sozinho nas eleições de outubro.
O PSD não desautorizou as palavras do deputado. Pelo contrário, fez coro:
“Construímos, ao longo dos últimos anos, uma trajetória que nos credencia a disputar os principais cargos eletivos. Temos tamanho político, lideranças reconhecidas e nomes competitivos para o Governo do Estado e para o Senado”, diz outro trecho da nota do partido de Renzo.
Reais motivos
A manifestação de Casagrande também revelou uma certa cautela. Mesmo se colocando acessível a uma eventual aproximação com o PSD, o ex-governador disse ser preciso entender o movimento do partido. “É preciso saber, de fato, qual é o sentido e o objetivo do movimento do PSD”.
A dúvida de Casagrande encontra eco no mercado político.
Ainda não está claro se o PSD está, de fato, disposto a mudar de lado, a lançar candidatura própria e caminhar de forma independente ou se o movimento é uma forma de chamar a atenção do Republicanos e pressionar o partido a trazer o (até então) aliado de volta à mesa de negociações.
O ex-governador também foi questionado sobre a presença de Hartung no PSD e se isso não impossibilitaria o diálogo. Ele respondeu:
“Olha, nós não podemos vetar os partidos por causa de pessoas. Repito: eu não sei qual é o sentido real do movimento do PSD. Se o movimento do PSD for, de fato, de diálogo, encontrará em nós toda disposição. Não é uma ou outra liderança que pode impedir o diálogo institucional”, afirmou.
Em tempo: O governador Ricardo Ferraço já ensaiou uma aproximação com Renzo Vasconcelos, antes do prefeito declarar apoio a Pazolini. Nos bastidores, a possibilidade de uma parceria com Ricardo teria sido levada para o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab.
* Com a contribuição de Enzo Bicalho
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