Novo tarifaço dos EUA pode atingir o Brasil e outros 60 países por trabalho forçado

Novo tarifaço dos EUA pode atingir o Brasil e outros 60 países por trabalho forçado

O Brasil pode ser alvo de uma tarifa adicional de 12,5%, cumulativa às alíquotas já anunciadas. Fotos: Marcelo Camargo/Agência Brasil e Instagram/@realdonaldtrump

O representante comercial dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, afirmou nesta terça-feira, 21, que o governo americano anunciará “em breve” uma decisão sobre as tarifas relacionadas ao uso de trabalho forçado nas cadeias de produção, indicando que a medida atingirá 60 países.

A declaração, feita em entrevista à CNBC, reforça a expectativa de que Washington confirme nesta semana novas sobretaxas recomendadas pelo USTR, incluindo uma alíquota de 12,5% para produtos brasileiros.

Segundo Greer, a medida terá alcance amplo e “abrange 60 países”, sem detalhar o cronograma da decisão. A expectativa, entre autoridades e representantes do setor produtivo, é que o governo americano conclua na sexta-feira, 24, a investigação sobre trabalho forçado e que o Brasil seja alvo de uma tarifa adicional de 12,5%, cumulativa às alíquotas já anunciadas.

Sobre o Canadá, Greer afirmou que as negociações comerciais continuam apesar das tarifas de 50% anunciadas na segunda-feira.

“Vamos continuar conversando com nossos colegas canadenses. Não interrompemos as negociações”, disse.

Governo quer fortalecer produção na América do Norte

Segundo ele, os EUA buscam “resultados que sejam bons para as empresas americanas”. E cobram há um ano que Ottawa retire as medidas retaliatórias adotadas contra tarifas impostas por Donald Trump. O representante acrescentou que a resposta americana foi “sob medida”.

Greer também defendeu o fortalecimento do conteúdo regional no Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA). Afirmando que o governo pretende ampliar a participação de componentes produzidos na América do Norte e incentivar a fabricação de automóveis na região. Segundo ele, Trump também busca reduzir o déficit comercial dos EUA.

Na área de tecnologia, Greer afirmou que o governo considera a destilação de modelos de inteligência artificial (IA) por empresas chinesas uma forma de roubo de propriedade intelectual.

Segundo ele, diversas agências americanas analisam o tema, em linha com declarações do secretário do Tesouro, Scott Bessent, sobre a possibilidade de sanções. Caso seja comprovado o uso de propriedade intelectual americana no desenvolvimento de modelos chineses de IA.

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